Existe um peso enorme nas minhas costas

Talvez sejam as contas postas

Ou o tanto de notícias bostas

E se for um encosto?

Um banho de ervas talvez faça o gosto

Sinto minha lombar moída

Talvez seja de carregar minha cria

Ou é porque carrego o mundo nas costas?

Pra quê?

Pra quem?

Quem, em sã consciência, se afogaria nos problemas dos outros?

Eu não, obrigado

Já bastam os meus ombros curvados

Que também servem para os mais necessitados

Não sou tão egoísta assim

Para! Chega de mimimi

Divide o peso

Tira um sexto

Faz um bem me quer, mal me quer

Pelo menos uma escolha sequer

Do restante embrulhe, dê um laço e jogue no mar

Dê de presente para Iemanjá

Deixe para ela cuidar

E recoloque os ombros no lugar!