Autoconhecimento cansa, às vezes

autoconhecimento

Viver cansa, às vezes.

“Viemos a este mundo para evoluir” cansa, às vezes.

Repare seus erros!

Peça perdão!

Perdoe.

Autoconhecimento.

Cansativo.

Às vezes.

Dependendo da (sua) lua e dos astros, às vezes, cansa mais ainda.

Estafa de encarar.

De mudar, de reconhecer.

De lutar.

Tenha coragem!

Pôr na prática cansa, às vezes.

Ciclo vicioso cansa mais.

Karmas também.

Deixe-me quieta com meus livros.

Nada decidirei hoje.

Tomar decisões cansa, às vezes.

– Qual livro vou ler agora?

Não me defina apenas como mãe

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Em algumas das muitas leituras durante a gestação notei diversas vezes a frase: “quando me tornei mãe, passaram a me olhar como se eu fosse a Madre Teresa de Calcutá“. É como se as pessoas passassem a te respeitar mais e, ao mesmo tempo, a te condicionar ao rótulo de mãe.

É um pouco confuso. Para quem não é mãe pode ser mais difícil de entender, mas as festas de fim de ano me mostraram que é real. Deixa eu lhe contar minha experiência.

Minha família é maravilhosa, juntos já vivemos as melhores histórias e ressacas da vida. Daquelas que tudo é motivo para juntar, conversar, comer, beber e viver. Como a maioria das famílias brasileiras algumas questões antigas ainda estão enraizadas.

Entre os membros, muitas mulheres e mães que por um tempo ou se não a vida toda se deixaram de lado e se voltaram exclusivamente aos filhos. Tem também as que focaram tanto na carreira profissional que não se abriram ao envolvimento emocional e tem as que conseguiram equilibrar as duas coisas, apesar das muitas dificuldades.

Apesar de toda essa variação de personalidades femininas, uma coisa é certa: na visão delas, o casamento e a maternidade sempre foram questões essenciais na vida de uma mulher. Até hoje a tia que não casou é alvo de questionamentos e teorias conspiratórias.

Enquanto eu aproveitava minha vida loucamente até os meus quase 30, vez ou outra percebia que minha voz não era tão ouvida. Minha visão do mundo não era digna de silêncio para ser escutada com atenção. Ás vezes também nem eu tinha muita paciência para as conversas. Talvez elas também não… (pausa para o drama).

E aí veio a gravidez. Decidimos juntar as escovas de dente. A família toda feliz e já chamando o pai de marido. Tipo, engravidou, casou. Nem eu considerava ele um marido, ainda! Porque realmente eu não casei (diga-se no papel). Pergunto-me até hoje se eu tivesse decidido não continuar na relação como seria a reação dos demais. Sei que a preocupação seria maior porque é difícil criar um filho sozinha, que com uma pessoa ao lado para apoiar é melhor, se for o pai então… e ainda tem a questão financeira – que, by the way, é um dos fatores que mais prende mulheres em relacionamentos falidos, a dependência financeira, mas isso é assunto para outro post – pode até ser mais difícil ser mãe solo, mas não impossível e nem distante da nossa realidade, já que temos aí só no Brasil mais de 5 milhões de crianças sem pai no registro.

Com o nascimento da Antonela passei a notar um respeito maior, as mais velhas da família se aproximaram, talvez por agora se identificarem mais com minha versão materna, mas é como se esse rótulo valesse minha existência. Agora você é mãe! Como se isso me colocasse em um patamar maior na sociedade. Um “maior” que consegue ser ao mesmo tempo excluído de todo o resto. Louco!

– Você é mãe, agora não dá mais para ter vontade própria, agora você tem outras prioridades, não faça mais isso, não seja mais aquela pessoa, se atente ao seu comportamento, controla essa criança, etc…

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Ilustração da Mary Chemi, artista russa e mãe de dois.

A maternidade te força a crescer, quase obriga. E isso é ruim? Não. Eu agradeço muito essa transformação, mas gostaria de deixar claro que minha essência continua a mesma. Ainda tenho sonhos que quero alcançar, objetivos, ainda tenho meu jeito de falar, ainda posso me vestir como quero, posso falar bobagens e nem ser a mãe perfeita, até porque isso nem existe.

É como se eu fosse vista agora apenas como mãe e não por quem eu sou, nem pelos meus valores. 24 horas mãe! Pode até parecer legal ser posta em um outro patamar, porém a questão é mais embaixo. Colocar a mulher apenas nesse rótulo de mãe apaga ou coloca à sombra nossos anseios particulares, como seres humanos. Sobrecarregam nossos ombros e “ai de você caso não dê conta de tudo”. Não basta a culpa materna diária, ainda temos que lidar com os olhares sociais. Tem momentos que é necessário priorizar o filho, sim, mas não toda e qualquer situação. Deixar totalmente de lado suas vontades é esquecer de si. Traz consigo a sensação de não capacidade, de não realização e isso minha gente, faz uma pessoa se tornar infeliz, consequentemente o filho também será afetado.

Além do que nem precisamos nos esforçar tanto, o sistema em si nos tira do mercado:

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Pesquisa FGV de 2017

Aliás, faço parte desta estatística. Tá fácil para nóis, né non?

Dito tudo isso, qual conclusão a que chego? Que a máxima africana é a mais pura verdade:

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.

Tirem essa carga diária de cima da gente, todos temos que seja uma mínima responsabilidade em educar também. O pai, os tios(as), os irmãos, o vizinho, os professores. Rede de apoio é essencial para uma maternidade mais sadia, mais que isso, para uma criança sadia. Colocar esse peso somente nas nossas costas é injusto.

Não precisamos dar conta de tudo, trabalho, casa, família.

Comece por você mesmo, mãe! Mude sua visão de maternidade, se dê um espaço, peça ajuda, ajude, trabalhe o amor próprio e pensa: “Isso vai me fazer mais feliz e melhor, então farei, quero ser o exemplo para o meu/minha filho/filha.” E vai!

Seja você a romper com as barreiras ancestrais, corte esse ciclo vicioso que acompanha sua família há gerações. Faça diferente, dê seu máximo e respeite seus limites.

Googla aí: crenças limitantes e liberte-se!

E para você que não entrou nesse mundo materno, AJUDE! Deixe sua ponta de contribuição e amor nesses serzinhos que estão vindo arrumar a bagunça que fizemos do mundo!

(Achei esse texto salvo há um ano no Rascunhos, terminei de escrever e tá aí <3).

O aqui e agora, mas aí o celular toca…

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Assisti a um filme que já deixo de indicação, “Como eu era antes de você” é aquela história açucarada com um final não muito esperado para um longa americano. O papel da atriz Emilia Clarke, que também está em GOT (<3), me fez refletir bastante, um soco no estômago e me dei conta de alguns detalhes, digamos, um pouco desconfortáveis da vida. Engoli em seco e precisei vir aqui escrever. Talvez pra desabafar, mas também pra não mais esquecer. Jamais. Aproveito e já deixo meu eterno agradecimento a esses picos de luz que conectam minha mente e coração, fazendo-os pulsarem juntos e assim me aterrando ao presente.

Quantas vezes agimos puramente com amor?

Não esse amor que é vendido nas redes sociais, com frases impactantes lidas nas primeiras horas da manhã e esquecidas no decorrer do dia. Falo do amor detalhado, no seu mínimo, simplista. Aquele que um objeto, uma situação, um texto, uma lembrança nos traz à tona pessoas especiais que fazem ou já fizeram parte de nossas vidas, trazendo um desejo momentâneo de encontrar, que seja ligar pra saber como está, falar da vida, rir, ouvir, dizer o que a fez lembrar dela. Aquele que no meio do caminho surge uma flor que aquela amiga gosta, aquele incenso que lembra a casa do amigo, aquela carta escrita à mão e enviada ao seus pais, irmão, primos, e por aí vai.

Gestos puros e simplesmente por amor.

E então, o celular toca, o whatsapp bomba de mensagens e memes, zilhões de informações no dia, perfis fakes, fotos, stories, a vida alheia “perfeita”, a corrida por curtidas, as notícias malditas, a política, o chefe, o crossfit, a receita fit, nossos problemas que, juntos abafam a saudade, a empatia, a memória e pouco a pouco nos fazem desconectar de nós mesmos. Tiram nossos pés do chão, nos iludem e tiram a capacidade de viver o presente.

A importância de estar atenta no “aqui e agora” é pra que ali na frente sua carga de culpa seja a menor possível, mas muito mais que isso é poder tirar um sorriso do rosto daquela pessoa amada, é proporcionar um momento alegre pra quem está ao seu lado ou longe e melhor ainda, inspirar e/ou encorajar o outro a fazer o mesmo, tipo uma corrente invisível que nos aproxima.

Lembre-se que o amanhã não existe. Cada dia é o hoje. Agora.

Mas aí o celular toca…


Deixo aqui a ilustração do artista coreano Puuung que serve como um “quer que eu desenhe?” pra este post…O amor está nos detalhes, nos pequenos gestos:

Eu sofria de vitimismo e não sabia

Demorei 30 anos para enxergar minha vida, minhas ações e consequências. Aonde estava esse tempo todo? Desviando milhares de vezes da verdade e me fazendo de vítima.

“O vitimismo baixa sua energia e te desconecta do seu ser.”

Apesar de ser libriana – signo que tende a ser empático com facilidade – e jornalista – profissão que, na maioria das vezes, tem como objetivo escancarar as verdades para o povo – não pratiquei por diversas vezes esse sentimento. Se senti foi por 5 minutos e depois passou. Sim, estou exagerando, ajudei, senti e trabalhei pelos outros, mas minha péssima memória deixou guardado ali no cantinho, situações emblemáticas em que fui egoísta. A caixinha do: uma hora ela vai precisar processar isso aqui e vai ser essencial para seu amadurecimento e mais transformações. E BOOM! It`s time!

E sabe como e quando foi que essa caixinha foi iluminada e vista? Meses após me tornar mãe.

“A maternidade é a maior das transformações. Um filho vem para nos tornar um ser humano melhor. O amor é a resposta.”

Os insights vieram em momentos meus e da minha filha, na hora da amamentação, na hora de fazê-la dormir, durante os primeiros meses de vida daquele serzinho que necessita 100% da gente. Muito tempo para pensar, para revisitar essas questões inacabadas. A sensação que tive é que estava ali me vendo pelo lado de fora da situação. Oh man! Foi amedrontador, vergonhoso e dolorido, mas gratificante em me enxergar de verdade, em saber que não errarei mais, pelo menos ali. 😉 Uma das primeiras vezes na vida que senti o início de uma transformação real em mim.

Início sim, porque não pense vocês que agora está tudo certo. Após enxergar, ainda tem a fase do se perdoar, pedir perdão e ser perdoada. Praticar o famoso ho’oponopono.

“Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato!”

E analisar, entender por que me deixei em primeiro lugar em situações que nem disso precisava, em que parte da minha vida eu desaprendi esse valor ou nunca me ensinaram? Enquanto ainda analiso todas essas questões, uma coisa sei, o vitimismo não faz mais parte do meu vocabulário. Sou e sempre serei responsável pelas minhas perdas, tristezas, conquistas e felicidade. E nunca me senti tão aliviada por chegar a essa conclusão. Que seja a primeira de muitas transformações que virão. Graças! Porque se queremos um mundo melhor, temos, somos obrigados a começar por nós.

Obrigada, trintão!

Obrigada, vida!

Obrigada, filha!

Gratidão eterna aos aprendizados!

<3

Da série: Who run the world

Eu sou feminista. Eu defendo que nós mulheres devemos ter as mesmas oportunidades EM TODOS OS CAMPOS DA VIDA. Essa é minha tradução para o feminismo dispenso outras, obrigada. De nada. Eu acho justo, é por isso.

Então me considero uma integrante no combate diário contra o machismo. Não por culpa deles, mas por culpa do sistema.

Aonde foi que disseram e comprovaram que nós somos piores ou burras ou fracas? Tanto homens quanto mulheres tem seu lado obscuro, com defeitos aterrorizantes, mas quando estatísticas são analisadas e contas das empresas são abertas, um abismo de diferenças se abre.

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E como todos nós sabemos, depois de muito esculacho, uma hora tem que acabar, mudar, dar um basta, zéfini! A queima de sutiãs: O retorno. PLIM!

Século 21 e algumas pequenas conquistas femininas começam a mudar o rumo da história seja no desabafo hollywoodiano exigindo igualdade salarial, seja a racial que é uma luta antiga e atualíssima ou de gênero.

Tenho uma lista de mulheres maravilhosas <3, não necessariamente famosas, que estão ampliando ou já ampliaram a voz feminina que me inspiram muito, vou listar algumas:

Bárbara Sweet

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Sweet é uma rapper mineira, especialista em batalhas de MCs, seu vocabulário é o feminismo. Ela batalha uma vitória no palco rimando sobre seu dia a dia de mulher e assim quebra paradigmas.

Empoderar-se em um meio onde, tradicionalmente, os homens reinam como no caso do rap, não é fácil amigos, mas usando do seu raciocínio rápido, Sweet cala muitos preconceitos e preconceituosos. Dá uma olhada aqui. E ouve essa:

A Bárbara está viajando de norte a sul e fazendo rimas mais do que nunca, então acompanhem-na no facebook e no canal do youtube que tem todas as batalhas destruidoras dessa representante foda e maravilhosa. Obrigada, Bárbara! <3

Patricia Arquette

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Patricia é uma atriz de Hollywood que ganhou o Oscar 2015 de melhor atriz coadjuvante no filme Boyhood e aproveitou para pedir igualdade de salários em seu discurso que viralizou e teve repercussão mundial:

E a reação das queridíssimas Meryl Streep e Jennifer Lopez <3

E segue o baile…

MCSoffia

Internet / Reprodução
Foto: Internet / Reprodução

Outra maravilha da vida é essa pequena, mas já muito empoderada MC Soffia. Com apenas 11 anos, ela é o exemplo perfeito de como a educação é uma das ou senão a melhor saída para um mundo mais igualitário.

A rapper mirim dá um show de ensinamentos na webserie Empoderadas, dirigida pelas cineastas Joyce Prado e Renata Martins obrigada, bonitas!

A garotinha relata no vídeo que lê muito e cita mulheres do passado que foram e ainda são essenciais no combate ao preconceito como Carolina Maria de Jesus (escritora e compositora) e Dandara (liderança da resistência negra contra a escravidão).

Como não amar? <3 Só vendo para se apaixonar mais, clica aí:

Nina Simone

Nina Simone Divulgação3

Não preciso apresentá-la, ela foi e sempre será um ícone, seja pela sua música dedilhada no piano ou por ter sido ativista pelos direitos civis norte-americanos.

Amiga de Marthin Luther King outro ícone, Nina nasceu em 1933 quando a segregação racial nos EUA estava no seu ápice, a cantora sentiu na pele os efeitos dessa divisão e compôs músicas extraordinárias em que relata sua luta.

O Netflix acabou de lançar o documentário dela What happened, Miss Simone?, dirigido por Liz Garbus que é muiiito válido de assistir #ficadica.

Com um piano e um microfone, ela sentia-se à vontade para botar a boca no trombone e colocava mesmo.

E para terminar, um episódio fofíssiiiiimo que viralizou na internet esses dias. Clica na foto que amplia.

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Maravilindo! <3

É tipo, para e pensa, reflete mesmo, tudo o que você já passou, escutou, deixou de lado, foi xingada por se dar mais liberdade, abaixou a cabeça, julgou outras mulheres ou nem foi porque na volta tinha um caminho escuro, então melhor não ir do que acontecer algo, porque quando acontecer o que será escutado vai ser: “mas também ela pediu, olha a roupa que ela estava usando” ou “ela sabe que ali é escuro e perigoso, passou por lá porque quis”.

Somos todos reféns, mas os nossos vilões são diferentes e mesmo assim, não nos dá o direito de passar do limite, incomodar, usar a força, desrespeitar. PONTO. É aquela velha máxima:

“Não pergunte por que a mulher agredida não se separa do marido, pergunte o porquê ele acha que pode agredi-la.”

Quando uma boa ideia é amplamente discutida com a sociedade e é implementada insistentemente, ela dá certo, gera resultados satisfatórios.

Cabe a nós, mulheres espalharmos isso, ajudarmos umas as outras, nos engajarmos, no mínimo conversarmos sobre isso, jogar ideias e trazer essa discussão para mais perto junto com amigas, irmãs, conhecidas, colegas de trabalho.

“Ser feminista continua sendo defender a maioria silenciosa das mulheres, ajudá-las a libertarem-se e adquirir seus direitos.” (Isabel Allende)

Pra fechar com chave de ouro vai uma suuuper dica de leitura: a recente entrevista da mulher e empresária do Mano Brown, Eliane Dias quanto amor numa frase só. Ela é musa master.

Fiquem à vontade para deixar um comentário, fomentar uma discussão saudável, desabafar, criticar. A casa é nossa, mulherada e homenzada (do bem)! Beijos e até logo!